segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Para uma Semana Musical

LEITURA MUSICADA NO TOM DO SABER
Dia 26/11 -Leitura Musicada tem especial de aniversário no dia 26 de novembro, na livraria Tom do Saber (Rio Vermelho) com uma homenagem à atriz Nilda Spencer. O projeto que tem como objetivo aproximar o público da literatura através da dramatização do texto e das inserções musicais, contará com a participação dos atores: Yumara Rodrigues, Harildo Déda e do músico Tuzé de Abreu. A cantora Manuela Rodrigues acompanhada de Tadeu Mascarenhas (teclado), Son Melo (baixo) e Lalinho (bateria) fará uma apresentação especial. Degraça, às 20 horas.
www.piramidedoriovermelho.com.br

MARTN’ÁLIA NA CONCHA DO TCA
Dia 28/11 - A cantora Martin’ália apresenta em Salvador show do seu novo CD “Madrugada”. Mais relaxado e menos sério (nas palavras dela) que o anterior, o disco surgiu "da esperança de fazer algo com Arthur Maia", com quem Mart'nália se identifica no gosto pelos "Stevie Wonders e Marvin Gayes da vida". A leva de "saudade", comum aos CDs de Mart'nália, inclui ainda "Alegre Menina", de Dorival Caymmi e Jorge Amado, que Djavan gravou para a novela "Gabriela Cravo e Canela" (1983), e "Tom Maior", de Martinho da Vila. O disco tem uma garantia de reconhecimento imediato. A versão com sotaque carioca de Mart'nália para "Don't Worry, Be Happy", de Bobby McFerrin, é tema da nova novela das sete da Globo, "Três Irmãs".
Horário: 18h30 Ingressos à venda (inteira): R$ 30,00
www.tca.ba.gov.br

CRISE, TV E CONSUMO - Malu Fonte

Se há algo de que o telespectador médio deve duvidar é dos conselhos quase diários dados nos telejornais pelo presidente Lula: a crise existe, mas o cidadão tem que consumir, senão as coisas ficarão muito piores. Segundo o presidente, não é porque há uma crise no mundo que o povo vai parar de comprar. Tudo bem, o argumento é coerente, afinal se ninguém compra nada, o mercado implode e a crise se exacerba. Entretanto, diante das circunstâncias atuais, como pode o gerente do País esperar que suas recomendações para comprar um carro ou um bem de consumo mais sofisticado sejam seguidas pela população assalariada?A cobertura da crise pelo telejornalismo é emblemática em sua essência, afinal, nada mais associado ao consumo que a TV, veículo moldado, por excelência, para convidar (e estimular incessantemente) à aquisição de coisas, sobretudo aquelas de que não se precisa, as supérfluas, a cereja do bolo do capitalismo.Numa leitura mais subliminar, é de um simbolismo sem par uma análise, hoje, confrontando e contrapondo os discursos dos telejornais, no que diz respeito à avalanche de informações apocalípticas sobre a crise, em todas as suas dimensões, e os discursos do intervalo comercial televisivo, com seus mantras eternamente repetitivos e sedutores, batendo sempre na mesma tecla: compre, compre, compre.

BJÖRK - Todos os dias, basta meia hora em frente à TV, diante de qualquer telejornal, para tomar conhecimento do tamanho do caos no mundo e aqui. Que a primeira economia do mundo estava ameaçando capengar feio desde que os americanos deixaram de pagar as hipotecas de suas casas bacanas, todo mundo já sabia há algum tempo. Mas que isso iria dar no que deu, sabe-se agora e um pouco mais a cada dia. Primeiro foi a Islândia, país cuja única referência que alguns poucos brasileiros tinham era a nacionalidade da cantora esquisitinha e cult Björk, que caiu de podre de falência.Logo após a queda da Islândia na vala das economias agonizantes, o brasileiro foi informado através da voz solene e do senho franzido sob a mecha grisalha de William Bonner que a média de demissões na Europa, por dia, é de 10 mil pessoas. Esta semana entrou nas chamadas de todos os telejornais do mundo mais uma bomba: a segunda economia do mundo, a japonesa, declarou-se oficialmente em recessão. Quer mais? Por aqui, as montadoras, em série, não apenas anunciam férias coletivas para logo como as antecipam uma, duas, três vezes e a cada vez que o fazem aumentam o universo de trabalhadores e de funções que serão contemplados com esse descanso involuntário fora de hora e às vésperas do Natal.

QUANDO FEVEREIRO CHEGAR - Portanto, perguntar não custa. Quais serão os cidadãos e consumidores insanos que, diante dos aconselhamentos do Presidente da República em suas falas na TV, irão correr para a loja, imobiliária ou concessionária mais próximas para saciar seus sonhos de consumo neste Natal que já bate à porta? A questão não é de precaução, mas de medo mesmo, ou, no mínimo, de bom senso. Qual o contingente de assalariados neste País que, diante de tal cenário econômico nacional e internacional, tem qualquer garantia de que terá emprego - e, portanto, salário, quando janeiro ou fevereiro chegarem? E aqueles que têm dinheiro para comprar veículo, casa ou eletrodomésticos de alta tecnologia à vista neste País conta-se praticamente nos dedos. Só inconseqüência ou otimismo abilolado para levar um brasileiro, hoje, a fazer dívidas de longo prazo.Outro aspecto que merece quase uma gargalhada são os empresários entrevistados nesses programas sisudos de economia. Arvoram-se a esquecer de seus costados financeiros esfacelando-se cada dia mais nas bolsas de valores e descem o malho no governo federal, criticando-o por não estar fazendo o dever de casa como eles, empresários, que estão cortando custos, blá, blá, enquanto o setor público não estaria cortando nada.

E A ARGENTINA? - Reclamam do quê? Coloque-se no lugar do cidadão comum: o governo usa milhões dos cofres públicos para socorrer o setor privado, visando evitar que empresas até ontem sólidas virem pó. Do dinheiro público que migra todos os dias para socorrer o tal mercado, ninguém se queixa. Empresários falam como se a maior gravidade orçamentária brasileira fosse os não-cortes no setor público. Assim como se dizia lá no passado que o problema brasileiro era a saúva, hoje é a corrupção, alastrada e incontrolável. E o que é a corrupção senão a transferência criminosa e volumosa de dinheiro público para bolsos privados? Continuando a questionar esses paradoxos discursivos dos atores do mercado, alguém poderia explicar por que a imprensa brasileira, televisiva e escrita, está tão quietinha e omissa diante da surrupiada do dinheiro da previdência privada que o governo argentino de Cristina Kirchner promoveu? Ah se fosse Hugo Chávez (Peru), Evo Morales (Bolívia) ou Rafael Correa (Equador). Miriam Leitão e Arnaldo Jabor estariam roucos de tanto bradar.

Malu Fontes Jornalista, doutora em comunicação e cultura e professora da Facom-Ufba.Publicado no jornal A Tarde, caderno Revista da TV, em 23/11/08.

http://www.atarde.com.br/jornalatarde/revistadatv/noticia.jsf;jsessionid=4775A9B55B551BA18BBE91C6332E0B1F.jbossdube1?id=1013525

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Só peço isso... - Eduardo Mesquita

…só quero que digam por aí que eu não acreditava em nada. Nem ideais, nem sonhos, nem planos de dominação mundial. Nada. Contem que até escrever a palavra “crença” me era negado, por defeito genético. Façam ser verdade que nunca quis ter fé ou confiança em nada e nem em ninguém. Que passei os 90 minutos que me concederam sem entender o que estava acontecendo, e sem me esforçar por um segundo que fosse para tentar entender. Simplesmente entediado e sendo levado por tudo que nos leva.
Divulguem que eu não tinha partido político, time de futebol, prato preferido, cor da sorte, signo, RG, nada. Nenhum sinal que acuse a minha participação nessa ópera bufa, nessa comédia de erros mal ensaiada e sem platéia. Contem em cada batizado que eu não apresentava sinal de nascença, cicatriz de operação, marca de vacina, tatuagem, buraco de piercing ou de tiro, nada.
Espalhem para todos que quiserem ouvir que nunca tive prazer com o contato humano. Afirmem com veemência que a existência humana sempre foi para mim meramente tolerável. Quando muito uma resignação medíocre e cotidiana a qual me acostumei. Contem que fingia cada sorriso, cada olhar de interesse, porque nunca quis sorrir para ninguém, nem nunca tive interesse por nenhum assunto que saísse de boca humana. Repitam à exaustão que sempre pensei ser o bicho gente uma experiência mal sucedida, um erro de laboratório, uma gloriosa cagada divina.
Lembrem a todos que nunca fiz nada, não consegui nada, não alcancei pôrra nenhuma. Mas deixem claro que não foi sob o signo da derrota que atravessei a existência, mas sim sob o sinal inegável da nulidade, do cinza, do apático, do esquecível. Porque a derrota ainda inspira piedade, comiseração, dó, e nem assim quero ser guardado. Nem por pena.
Apaguem quaisquer lembranças de fato ocorrido, momento vivido, beijo dado, porrada sofrida, qualquer coisa que se assemelhe a uma expressão de emoção humana. Deletem da memória universal qualquer coisa que possa ser distinguível, extraordinário, pois que a ordinariedade seja a última poesia.
Não deixem nenhuma foto inteira, nenhuma fita de vídeo, nenhum registro ou evidência. Permitam que eu me torne uma vaga lembrança em algum canto pouco explorado e vagamente usado da memória de um velho que todos chamam de louco, mentiroso e que inventa histórias que ninguém acredita. Deixem que me desvaneça.
Peço que tenham a educação, a decência, a generosidade, o respeito de fazer somente isso no segundo seguinte à minha morte. Nenhuma elegia, nenhuma homenagem, nenhuma placa de bronze nem flores plásticas. Nada de coroas com letras soltas, com mensagens ilegíveis, com flores mal combinadas, de gente que nunca deu um telefonema para dizer se estava vivo – não que isso realmente importasse. Tenham a gentileza de evitar discursos ou aplausos, que seja um momento discreto, apagado, nulo… de preferência com chuva fina, cheiro de terra molhada e dois coveiros. Mais ninguém.
Peço isso porque estou cansado de responsabilidades. Estou enfarado da facilidade humana de me condenar a atitudes, ações, comportamentos, gestos, reações. Me desespera como é fácil, para cada um desses que atravessam a rua na faixa de pedestres, ditar normas e regras – desde que não seja dele a obrigação de seguir e cumprir as malditas normas.
Diz o ditado que a responsabilidade, o dever, isso é, certamente, a única coisa que nunca nos livramos, pois até mesmo no leito de morte, prestes a dar o último passo, ainda dizem ao moribundo que ele deve lutar pela vida… deve!!! E depois de perdida a luta obrigatória, as lembranças. A necessidade podre de que se guardem boas coisas, que se enevoem as brigas, as desavenças, as canalhices, a putaria que possa ter sido a vida daquela criatura que teve o bom senso e a elegância de desaparecer. O finado passa então, a ter o dever de ser bom, correto, probo, honesto e cheiroso.
E pro resto da vida do resto de vivos, permanecer puro e imaculado. Sem nódoas, sem manchas amarelas, sem cantos quebrados. Morto e condenado ao esforço perpétuo de se manter virgem.
Peço aos inimigos, me deixem ser um morto. Só isso… morto! Não me amarrem comentários ao pescoço para que eu não precise seguir a eternidade me comportando. Deixem-me ser o morto torto no caixão. Aquele que não passou pela porta e precisaram colocá-lo de pé. O nariz ainda sangra, as mãos rígidas, e ele de pé, cambaleante, amparado pela parentada, passando pela porta onde seu caixão não fez curva. Me deixem ser o morto que se gargalha de prazer pela ausência. Me deixem ser um morto realizado, completo, saciado. Que tudo tenha sido feito, realizado, alcançado, e que por isso mesmo, tudo possa ser esquecido. Esquecido, portanto livre.
Não me condenem a ser um fantasma opressor que não deixa os outros seguirem em frente. O fantasma amaldiçoado que pesa nos ombros, que dá um gosto ruim nas bocas, que assombra sem aparecer à noite. Que limita…
Só quero, então, que vocês digam que eu fui um calhorda, como eu realmente sou. Não a suprema expressão, mas a mais sincera tentativa fracassada de um rematado canalha. Que eu fui um covarde, como eu realmente sou. Que fui medíocre, invejoso, fedorento, preguiçoso, careca, feio, desarrumado e bêbado. Contem nos jardins de infância que eu comia de boca aberta e arrotava até com copo de água. Não permitam que criança nenhuma no mundo queira ser como eu “quando crescer”. Publiquem em letras coloridas por todos os jornais e muros do mundo que eu fui a pior versão de um show que nunca devia ter entrado em cartaz – a humanidade. Deixem claro que isso eu acreditava: que a humanidade não devia ter acontecido, que o mundo deveria ter sido entregue aos platelmintos, às formigas cabeçudas ou mesmo às moscas de banana, qualquer coisa, menos esse troço errado que é gente. Esse tipinho idiotizado que não consegue tomar sua sopa sem jogar sal no prato ao lado. Que não consegue olhar somente para o seu umbigo sujo e inflamado. Esse bichinho que não sabe se virar sozinho, que não consegue falar o que pensa, que não consegue ser honesto com o que sente, que não faz sem esperar retorno, que não é capaz de ser o que vive cuspindo que é, nos discursos e nas salas de espera – gente. Não consegue ser gente.
Ser humano. Essa comprovação definitiva e verdadeira de que Deus não tinha a menor noção do que estava fazendo, e que Einstein estava errado; ele joga dados com o universo SIM!! E algumas vezes…. snake eyes!
Quando eu estiver morto, joguem terra por cima e vão pra festa. Qualquer festa. Se insistirem em fazer algo meramente próximo de uma reverência (porque homenagem não merecemos e não permitirei), bebam um último chopp em meu nome e me deixem em paz.
Perdoem-me somente a arrogância, e me deixem em paz. Eu tenho certeza que vou deixar vocês em paz.
Só isso que eu peço.

Eduardo Mesquita, O Inimigo do rei - eduardoinimigo@gmail.com - http://www.ogritodoinimigo.com/


Vagando pela ciber ocean, encontrei esse texto que fala por mim a alguns que trocou a independência, a honestidade, a dignidade, a amizade, o profissionalismo, a inteligência, a competência, além do amor próprio e pelo semelhante, por algumas moedas e pelo lugar a mesa no banquete de imundices que alimenta os vis. E que em galhofarias pelos becos escuros, por onde passeiam os ratos, os pobres de espírito e de atitude, no canto escuro por onde só trafega aqueles que pactuados com o lado negro da força encontram abrigo para que ao cair das suas mascaras o mundo não veja quão horripilante é sua verdadeira face.


João Ferreira Jr

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CULPA SEM CRIME - Malu Fonte

Ao mesmo tempo em que avançam as estratégias legais, jurídicas, punitivas contra os agentes da violência contra a infância, explodem no noticiário e em toda sorte de programas de televisão as narrativas dando conta de uma quantidade cada vez maior de crimes cometidos contra crianças. Cada vez mais bárbaros, como é o caso da menina encontrada aos pedaços dentro de uma mala abandonada em uma rodoviária no Paraná. Cada vez mais incompreensíveis, como o caso Isabella Nardoni supostamente atirada do alto de um edifício pela família. Cada vez mais chocantes, como no caso do garotinho em Inhambupe (BA), vítima de abuso sexual e estocado com cerca de 50 golpes de faca, uma quantidade que parece sequer cabível em seu corpo pequeno de apenas 8 anos. Cada vez mais perversos, como as torturas praticadas anos a fio por uma empresária de Goiânia contra a menina Lucélia Silva, cujas unhas, dentes, língua e pele foram mutilados com alicates, queimaduras, martelos.

VIA-CRúCIS - Como sempre ocorre nesses casos, o que mais choca é o cruzamento entre a condição indefesa, inocente e vulnerável inerente à criança e a barbárie contida no comportamento dos algozes adultos. Na última semana, em Salvador, no entanto, uma tragédia envolvendo a morte de crianças e fartamente veiculada nas emissoras de TV chamava a atenção justamente pela impossibilidade de julgamento e condenação dos aparentes culpados, os pais. O que desconcertava o telespectador mais analítico, nesse caso, era justamente o potencial de socialização dos papéis dos culpados no episódio. A quem atribuir culpa quando o contexto social e econômico paira sobre uma cena de dor e morte? Até a metade da semana, duas crianças haviam morrido e um bebê de 4 meses apresentava quadro grave após a casa em que moravam ter sido incendiada em função de uma vela acesa usada pelo pai. A razão do uso da vela deveria ser levada em conta pelos telespectadores e por pais ciosos que vão logo recorrendo a adjetivos condenatórios para nominar a (ir)responsabilidade e a culpa de um homem que perdeu os filhos, a casa, todos os pertences e todas as possibilidades de viver em paz pelo resto da vida. Juristas, delegados, advogados aqui e acolá foram entrevistados para falar da ′apuração′ das responsabilidades dessa família na morte dos filhos. Haverá inquérito, investigação, interrogatório e toda a via-crúcis jurídica e policial para que finalmente se chegue a um consenso quanto ao tipo de responsabilidade, de culpa ou acusação que devem ser aplicadas aos pais.

VELA E CUBÍCULO - Numa perspectiva mais abrangente, tem-se a impressão de que uma tragédia dessa natureza, ocorrida numa casa pobre no bairro de Plataforma (subúrbio ferroviário de Salvador), nada mais é senão a miséria marcando e demarcando seus territórios para o assombro e a incompreensão dos mais privilegiados. Parece óbvio e simples perguntar como podem pessoas adultas, pai e mãe, serem ignorantes ou irresponsáveis o suficiente a ponto de acender uma vela num cubículo, quando qualquer sujeito de bom senso sabe dos riscos que uma ação dessas representa. É nesse tipo de raciocínio simplista que chega uma sociedade que vira as costas para seus refugiados sócio-econômicos e em nenhum instante enxerga o elementar: trata-se de um casal pobre ao extremo, ambos desempregados, com renda zero e abastecimento de água e luz cortado por falta de dinheiro para o pagamento. Nesse contexto, a vela jamais seria considerada por quem a ela recorre como um objeto de risco ou ameaça, mas como praticamente um luxo, resquício último da normalidade, ou seja, da possibilidade de iluminar uma casa escurecida pelo desemprego, pela miséria, pela falta de oportunidade crônica, pela falta de capital social e simbólico de milhares de famílias que, como essa, representam o que os sociólogos hoje chamam de refugos do capitalismo. Todas sem ponto de chegada, condenadas a atravessar a vida remando sob a miséria, algo muito diverso da pobreza, pois essa ainda carrega em si alguma dignidade.

PROIBIR DE PARIR - Do que a sociedade e suas instituições podem acusar essa família da Plataforma? Ela já estava condenada muito antes dessas crianças morrerem de queimaduras. A morte apenas torna mais fortes as cores de sua tragédia pessoal crônica. Os defensores de primeira linha do planejamento familiar, que em última análise significa não outra coisa senão proibir definitivamente os pobresde se reproduzirem, certamente os condenarão pelo ato de um dia terem cometido a audácia de fazer sexo sem proteção, quando ainda não era a hora de ter filhos. Alguém tem uma resposta satisfatória para quem é muito pobre e que, mesmo assim, quer ter filhos? Não vale dizer que tem que esperar, se planejar, para tê-los na hora certa. Quem disse que essa tal hora certa chegará, se todas as possibilidades estão sempre fechadas para tais pessoas? Sem políticas públicas e justiça social, o rompimento do ciclo de miséria e pobreza é tão provável quanto um milagre. Na maioria dos casos, planejamento familiar não é outra coisa senão o desejo bem descrito e bem elaborado pelos mais privilegiados de proibir de parir aqueles que não têm nem terão dinheiro.

Malu Fontes Jornalista, doutora em comunicação e cultura e professora da Facom-Ufba.
Publicado no jornal A Tarde, caderno Revista da TV, em 16/11/08.

Fonte: http://www.atarde.com.br/jornalatarde/revistadatv/noticia.jsf;jsessionid=E1A1CD8907CEA0FB19E3004D7A6BF1CB.jbosstosh1?id=1008088

terça-feira, 11 de novembro de 2008

FÉ, RAZÃO E SOCIEDADE - Paulo Roberto Moraes


É uma coisa mesmo incrível escrever, digo escrever não pelo simples fato de fazermos esse ato de explanarmos idéias, tanto as nossas quanto às outras pertencentes a outras mentes, não somente ao ato que aprendemos desde cedo e que em muitas situações nos leva ao céu ou ao inferno, afinal podemos assinar documentos que nos apontam à extrema riqueza, como também incontáveis outras situações não tão boas quanto à primeira. Mas deixo aqui a divagação sobre o ato de escrever para descer a um texto que já foi ensaiado outras vezes mas que ainda insistia em permanecer no campo das idéias.
Vou divagar a respeito de reflexões sobre a racionalidade, que aqui denomino razão, a fé e a sociedade, não dando uma de “guru” nem de um respeitável escritor, desses que encontramos comumente em revistas, livros e outras coisas, onde o que eles escrevem acaba por ser a mola mestra de muitos pensamentos e tendências, o absurdo da certeza e do momento. Pretendo um texto leve que reporte quem estiver lendo a uma simples reflexão que servirá para o dia a dia como um todo e que servirá para também discutir com os amigos em meio a uma roda de cerveja e de outra bebida ou situação que o leitor goste de fazer.
Mas de repente você pode estar se perguntando como irei juntar fé, razão e sociedade e aí é que começa a viagem. Mas pergunto: E elas convivem sozinhas? Pois é, já viram que pretendo algumas reflexões, nem que sejam só minhas, mas que pelo menos nos atentem a pensar e a fazer algumas reflexões.
A primeira reflexão que quero compartilhar é essa: Quanto mais o homem conhece a realidade do mundo, tanto mais se conhece no seu sentido de unicidade do ser humano que, além de pensar pode expressar seu pensamento e mais ainda, transformar a realidade que lhe cerca. Isso mesmo, pareceu dar um nó à primeira vista, mas não, esse é para mim uma parcela do preço da razão, tornamos forte o nosso sentido de ser humano, quando passamos a expressar nossos pensamentos.
Por isso, a cada vez que nos deparamos quanto ao sentido das coisas e da nossa própria existência, mais sentido imprimimos em nossas vidas e mais ainda utilizamos da nossa razão, pois o que chega ao nosso conhecimento torna-se parte da nossa vida.
Ainda que permeados por diferentes culturas e modos de percepção a respeito do mundo, estamos todos nós, presos como que a um fio, uma linha única que nos diferencia dos outros animais e nos iguala, enquanto seres humanos de diferentes culturas, eras e sociedades. Sim é ela mesma, a razão, eis o fio da meada humana, o elo perdido que os cientistas buscam tanto, é esse limiar que influenciou a nossa fisiologia que nos deu a diferença no caminho da evolução. Pensem quando o mais próximo ancestral humano se percebeu pensando, nesse momento em que conseguiu estabelecer conexões neurais suficientes para além de ficar ereto, pensar e se expressar, criar códigos, contar histórias, estabelecer condutas e as mais diversas condições de transformação de sua forma de vida marcando de vez a história da evolução a ponto de hoje estarmos nós aqui pensando nele.
Mas deixemos um pouco o nosso diferencial racional e vamos ao encontro daquilo que prefiro apontar como contraponto filosófico da razão, o que denominamos de fé, pois quem mais do que a fé desafia a razão? Quem mais do que a fé nos coloca à indagações e sensos difusos aos racionais? Sim, a fé, caminha junto à razão, acho até que é filha do mesmo pai com a mesma mãe.
Ora a fé, sem ela, talvez fossemos todos robotizados, escravizados na nossa racionalidade que nos criaria a maior das armadilhas, nos tiraria a possibilidade de visionar, de sonhar com aquilo que a razão insiste em nos mostrar que não é possível.Imaginem-se quão chatos são aqueles que são meramente racionais! Pois bem, seriamos todos assim.
A fé, dizem movem montanhas, eu acredito mesmo que sim, movem assim como são movidas as mentes que se utilizam dela para imprimir o domínio da razão, afinal ela de novo vem nos dizer que não podemos acreditar em tudo, ela tem que ser mais. Mas não sou contrário à razão, mas a minha é branda e me mostra que existem outras formas de poder, dentre elas a fé.
Mas a questão é que ela tem um fator ainda mais unificador do que a razão, pois pela fé homens mataram, dominaram e ainda se matam e ainda dominam, pela mesma fé esquecem o limiar da razão e dominam impondo novamente trajetórias, divergências e loucuras e aí desembocamos na sociedade.
E sobre esse “mal necessário”, que chamamos sociedade, aponto os caminhos onde a fé e a razão hora se combinam, hora se destoam, mas sem sombra de dúvidas tentam se complementar e se sobrepor.
Mas a sociedade, tal como hoje concebemos, que nasceu para nós ocidentais com os gregos essa caminha permeada por razão, por fé e por mais variadas loucuras que estamos nos acostumando cada dia mais. Deixemos os vícios modernos para outro momento, esse fica prometido à aqueles que estão gostando desse ensaio.
Sociedade, essa necessidade criada pela razão, sim pela razão ou foi pela fé? Deixo isso para que vocês decidam que é o dono desse nó górdio humano. Essa em que vivemos que muitas vezes proferimos a sua completa deterioração está na realidade maculada pela eterna briga entre a fé e a razão, porque na fé há aqueles que se acolhem para mudar a realidade que foi impostam pelos que dominam através da razão e da aceitação da maioria, como também aqueles que se aproveitam para criar novos paradigmas da existência.
Criamos as mais distintas nomenclaturas para definir aquilo que todos nós estamos tão intimamente ligados, agora a pergunta: Podemos viver sem ela? A resposta deixo de novo para vocês, não vou nem me preocupar com as respostas.
Enfim, em meio a todas as reflexões fica aqui a necessidade de complemento daqueles que quiserem comentar, aqui nada está pronto, pois eu, como parte da briga entre a fé a razão, sinto que já contribuir.
Fé, razão e sociedade, essa é tríade em que vivemos, sintam-se à vontade, ela é toda nossa.

Paulo Roberto Moraes da Luz – Codinome “Escritor por engano”
paulomoraesluz@hotmail.com


O Autor do texto é Administrador de Empresas pela UFBA, Pós Graduado em RH pela FIB, Pós Graduado em Psicologia de Ação Social pela Faculdade São Bento, estudante em fase final de conclusão do curso de Direito na Ucsal, Consultor e sócio da Conceptum Consultoria e Assessoria Ltda., além de amante da literatura e de assuntos que rodeiam a existencialismo humano.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Festival de teatro de bonecos chega a Salvador.


A partir desta segunda-feira (10) até 16 de novembro, Salvador receberá o festival de teatro SESI Bonecos do Brasil. Oficinas, desfiles e apresentações fazem parte da programação do evento. Nos dias 10, 11 e 12 de novembro serão oferecidas gratuitamente, no Teatro SESI Rio Vermelho, oficinas de bonecos com o artista Marcos Malafaia. O evento acontecerá no Largo do Terreiro de Jesus e do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho, dias 15 e 16/11, a partir das 16h30 com a participação de teatro Lambe-Lambe, da companhia Diversos Grupos, espetáculos infantis como A lenda do dragão encantado e Marama, exposição dos 38 anos do grupo mineiro Giramundo e atelier ao vivo de mestres mamulengueiros, entre outras atrações.“O festival é um espaço de estímulo para a inteligência. Seja para fazer rir, para fazer chorar, para divertir ou para refletir”, afirma Lina Rosa, curadora e idealizadora do projeto.O SESI Bonecos traz um sortimento de nacionalidades, abordagens e estilos nunca visto, com encenações para crianças e adultos O público terá a oportunidade de assistir apresentações de bonecos que cabem na palma da mão a desfiles de bonecos gigantes. O mestre de cerimônias oficial do projeto SESI Bonecos é uma atração a parte e cai rapidamente nas graças do público de todas as idades. O boneco é uma peça construída com a técnica “luva com varas”. A mão do artista é introduzida por dentro, para manipular a cabeça e o corpo. Varetas de aço são usadas nas extremidades das mãos e movimentam os braços. Seu temperamento é divertido e eloqüente. Ele é uma espécie de garoto-propaganda do festival.(Fonte:http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2008/11/09/Bahia_Nacional/Festival_de_teatro_de_bonecos_che.shtml)

domingo, 9 de novembro de 2008

ITAPARICA SE MODERNIZA - João Ubaldo


Sei que, depois de todo o rebuliço em torno das eleições americanas, agora vocês mal podem esperar as novidades lá da ilha. Por favor não briguem para ver quem lê primeiro. Reconheço que trago notícias extraordinárias, mas não vamos brigar no domingo, já basta o resto da semana. E já basta o que tem rolado ultimamente lá em Itaparica. No cemitério onde jaz o coronel Ubaldo, meu avô, ele já deve ter ganho o apelido de Carrapeta, de tanto que há de estar rolando na tumba.Os mais velhos se benzem e se preparam para o fim do mundo, enquanto outros opinam que ele já chegou.Meu avô costumava ficar indignado com quem não acreditava que em Itaparica não se fechava porta ou janela e nem se trancava porta ou janela, fosse noite, fosse dia, porque não tinha ladrão, a não ser os de galinha, mas, como todo mundo sabe, ladrão de galinha não vale. (Reconheço nesta ressalva interesse próprio, pois, caso roubar galinha valesse, eu seria forçado a confessar não ser de todo inocente em vários casos rumorosos nessa área — maus passos da juventude, sei que vocês entendem.) Um ou outro podia usar tranca ou chave, mas por motivos diferentes, tais como na natural reserva da conjunção carnal ou no exercício do anticorneamento preventivo, com um dinheirinho malocado no colchão ou com vergonha de desmazelo doméstico, razões, entre muitas outras, encontradiças em qualquer lugar e naturais à humana condição.Ser destacado para servir na polícia de Itaparica era visto como adiantamento de aposentadoria, ou prêmio por longa conduta incriticável, na carreira. Justiça seja feita, conheci vários delegados que faziam muita força para trabalhar, até inventando proibições tiradas das cabeças deles, mas acho que logo a famosa radioatividade da ilha os pegava de jeito, conduzindo a nova vítima ao destino de todos os que contamina, ou seja, uma moleza que impede cruelmente qualquer tipo de trabalho. Todo itaparicano que trabalha, inclusive eu, é um herói, porque vence a tremenda pressão da radioatividade. É por isso que o visitante desinformado não entende por que vê tantas mulheres trabalhando, enquanto os homens jogam dominó ou trocam idéias em desapressadas conversações. É que até nisso as mulheres levam vantagem sobre os homens, nelas a radioatividade raramente pega. E aí, felizardas, podem trabalhar à vontade, enquanto os homens, pobres doentes, sofrem o vexame de serem injustamente chamados de preguiçosos.Pois hoje tudo mudou, estamos em perfeita sintonia com o resto do país.Deveremos em breve ocupar um lugar de destaque no ranking de assaltos, furtos e arrombamentos, talvez à frente de algumas grandes capitais.Assim que cheguei, fui informado de que minha casa tinha sido incluída na longa lista das arrombadas por semana, que não andasse sozinho em algumas áreas, especialmente à noite, procurasse não desfilar bestamente com meu notebook a tiracolo e escondesse dinheiro e cartões em locais secretos.E não era só isso. Não é necessário que o morador esteja ausente, para que a casa seja invadida. Sublinhando o que já disse sobre como nada ficamos a dever aos grandes centros, os ladrões usam armas de calibre grosso, não é brincadeirinha de amador, não. Como acontece, por exemplo, no Rio, acho que não conversei com ninguém na ilha que não tivesse pelo menos um assalto, próprio, com parente ou com amigo, para relatar.Se tem polícia para cuidar da segurança? Tem, tem. Tem uma polícia com dois carros para uma ilha de 290km2, o que certamente obedece a normas internacionais. Os carros é que estão com um problema. Como seus similares em toda parte, se recusam a funcionar sem gasolina. Foi essa a razão para o que sucedeu a uma recente assaltada que, enquanto o ladrão ainda lhe saqueava a casa, conseguiu falar com a polícia. Sim, era a polícia, sim, em que podia servirlhe? Ah, um ladrão. "Isso é um absurdo, minha senhora, a senhora pode contar com toda a solidariedade", esclareceu o bem-educado policial."Lamentavelmente, não temos gasolina nos carros e receio que só podemos desejar à senhora que tenha um bom assalto. E, de manhã, estando viva, compareça à delegacia para dar queixa, passar bem." Não creio que tenham sido essas as palavras que o policial usou, mas foi o que ele disse: a mulher roubada que se virasse, porque não tinha gasolina no carro. Ou seja, não tem polícia nenhuma na cidade e já surgem várias hipóteses sobre o que está ocorrendo, inclusive uma que considero paranóica, mas interessante. Itaparica faria parte de um novo plano de segurança do governo, para criar Centros de Concentração de Criminosos (os famosos Cecezões, com sede em Brasília) e Itaparica teria sido contemplada com essa condição. O plano é fazer com que todos os não-criminosos deixem a ilha, que assim será povoada exclusivamente por bandidos e depois severamente isolada pelo governo, que, num experimento sem precedentes, botaria lá os assaltantes assaltando uns aos outros e deixando o resto da sociedade em paz.Bem, não sei, acho isso um delírio.Sou um homem realista e fui lá para mandar botar grades de ferro em minha casa. Sina é sina: nasci no paraíso, morrerei atrás das grades. Não há o que discutir, até porque pode não ser nada disso, pode ser apenas um projeto do governo estadual, que é do PT e está lá para desenvolver, para estimular a pequena indústria metalúrgica, com a feliz coincidência de que é a metalurgia onde tudo indica que o presidente da República efetivamente trabalhou, enquanto não pôde evitar essa vicissitude. Bem, não sei o que é, a mim só cabe mandar botar as grades. E, por enquanto, aconselhar aos que queiram visitar a ilha com a qual estão agora acabando, que façam um treinamentozinho preliminar no Morro do Alemão.
João ubaldo Ribeiro - Colunista do Jornal A Tarde - Caderno 2 - domingo, 09/11/08.


Esse post é um desabafo, um parêntese no assunto que não é racista, muito menos classicista, nossas cidades estão condenadas à própria sorte, o que em outros aspectos não seria de todo mal, mas no que tange a segurança essa é uma lamentável realidade, já que a nossa segurança esta lançada aos policiais (militares, civis ou do exército) que são despreparados, desmotivados, mal educados (nosso sistema educacional é um problema a parte), vitimas da própria insegurança e de seu familiares, a nós cidadãos pagadores de impostos cabe as grades, cercas eletrificadas, câmeras de segurança, contratação de segurança particular, condomínios em que a liberdade resume-se a um punhado de metros cercados de pseudoproteções, será mesmo que somos livres? E ainda existem aqueles que considera um lugar pacato, onde exista a possibilidade de passar um dia com janelas e portas abertas num lugar atrasado (quero um lugar desses para mim, olhe q moderno...). Será que essa modernidade que se caracteriza por apretechos tecnológicos para nossa segurança trata-se realmente de modernidade em segurança ou um retrocesso da liberdade? Não gosto de ser saudosista mas da liberdade, essa eu tenho saudades!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

II Festival Gastronômico da Chapada Diamantina - 1º e 16 de novembro

A Chapada Diamantina desperta o interesse de turistas de diversas partes do mundo pela a exuberância de sua geografia. Além das belezas naturais, quem passar pela região na Bahia entre os dias 1º e 16 de novembro vai poder conhecer e apreciar também a culinária local. Durante esse período, será realizado, nas cidades de Lençóis, Mucugê e Palmeiras (Vale do Capão), o II Festival Gastronômico, evento que tem o objetivo de divulgar a cultura e a culinária da região.Participam 25 estabelecimentos dos três municípios. De acordo com a produtora executiva do evento, Juliana Pedrosa, o festival vai permitir que os participantes divulguem seus melhores pratos. “É uma oportunidade para o empresário divulgar o seu estabelecimento através de suas especialidades. A variedade de pratos e temperos da Chapada é um atrativo a mais para o turista que visita a região.”, diz Juliana.Os pratos inscritos terão um preço diferenciado durante a realização do festival. “Alguns estabelecimentos desenvolvem receitas exclusivamente para o evento. Outros, escolhem os pratos mais pedidos da casa e colocam um preço atrativo ao consumidor. Dessa forma, eles conseguem chamar a atenção de quem visitar a região durante o festival”, afirma a produtora executiva.Além de uma ação comercial, o Festival Gastronômico da Chapada Diamantina é uma oportunidade de capacitação para os restaurantes da região. Para participar, os estabelecimentos passaram por duas etapas de treinamento. A primeira foi o curso de Manipulação de Alimentos, realizado entre os dias 5 e 10 de outubro, através do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), parceiro do Sebrae/BA na promoção do evento. A segunda etapa consistiu em uma oficina de garçom, também realizada pelo Senac, de 21 a 26 de outubro.“Assim, eles não só ampliam suas ações comerciais, mas também desenvolvem o seu negócio através dessas capacitações oferecidas com a participação no evento”, aponta Richard Alves, coordenador da carteira de Economia Criativa do Sebrae/BA. Para ele, o festival tem uma importância fundamental para o aquecimento da economia da região, uma vez que as oportunidades de negócios ampliam-se a todos os empresários de turismo da Chapada Diamantina. “Com o Festival Gastronômico, há um incremento do fluxo de turismo na região com essa atração que proporciona conhecer a culinária local”, diz Richard.Pedro Ribeiro, sócio-proprietário do Restaurante Serrano, localizado em Mucugê, participou da primeira edição do festival. Para ele, o evento é uma boa oportunidade de divulgação. “Os turistas passam a conhecer nosso estabelecimento por meio do evento”, afirma Pedro. A expectativa para o próximo festival é que o resultado seja ainda melhor. “Esperamos ampliar nossa divulgação e atrair mais clientes. As capacitações oferecidas são também de grande valia para a promoção do nosso estabelecimento”, completa.Já Rebecca Martins, do restaurante Roda D´água Goumert, em Lençóis, acredita que o principal atrativo são as novidades culinárias. “No nosso caso, preparamos pratos especialmente para o festival. Ano passado, nosso prato foi bem aceito e passamos a comercializar após o evento”, conta. Assim como Pedro, a empresária acredita no sucesso do festival. “Este ano esperamos um resultado ainda melhor”.Os turistas poderão conferir também programações culturais preparadas especialmente para o festival. São diversas manifestações da cultura local, como rodas de capoeira, boi bumbá, grupos de danças, entre outras.O II Festival Gastronômico da Chapada Diamantina é realizado pelo Sebrae/BA, em parceria com o Senac, e conta com o apoio da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Bahiatursa, Associação Comercial e Industrial de Lençóis, Acomtuv (Associação de Comerciantes do Vale do Capão) e Secretaria de Turismo e Meio Ambiente de Mucugê.

Três municípios compõem o circuito gastronômico, Lençóis, Mucugê e Palmeiras-Vale do Capão.

LENÇÓIS
PIZZA NA PEDRA º RESTAURANTE SALTON º RESTAURANTE MARIMBUS (HOTEL PORTAL LENÇÓIS) º CASA DA TAPIOCA E CREPE º RESTAURANTE AZUL ( HOTEL CANTO DAS ÁGUAS) º RESTAURANTE O BODE º RESTAURANTE RODA D'ÁGUA GOURMET (HOTEL DE LENÇÓIS) º RESTAURANTE CAFÉ DA MANHÃ PALADAR º BODEGA RESTAURANTE PIZZA BAR º COZINHA ABERTA º MARIA BONITA CASA DE MASSAS º ETNIA º ABSOLUTU º A DOCE VIDA MASSAS CASEIRAS º CREPPERIA TERRA DO DOCE.
PROGRAMAÇÃO CULTURAL(pelas ruas de Lençóis)
01/11 às 19h - Boi Bumbá com a banda Africania / Ciganinhas.
06 à 09/11 - Festival Ressonar 2008, a alternativa alternativa da Chapada Diamantina.
15/11 às 19h - Grupo de Capoeira Corda Bamba / Marujada.


MUCUGÊ
PIZZARIA POINT DA CHAPADA º RESTAURANTE SERRANO (HOTEL ALPINA) º RESTAURANTE PIMENTA DE CHEIRO º RESTAURANTE SABOR E ARTE.

PALMEIRAS - VALE DO CAPÃO
RAÍZES RESTAURANTE º ARÔMATA D'LAGOA (POUSADA VILLA LAGOA DAS CORES) º CASA DAS FADAS º POUSADA CANDOMBÁ º POUSADA DO CAPÃO º RESTAURANTE AVALON (POUSADA LENDAS DO CAPÃO).PROGRAMAÇÃO CULTURAL
(Coreto da Vila)
02, 09 e 16/11 às 10h - Capoeira Regional do Vale do Capão.
15/11 às 19h - Terno de Reis das Ciganas.
15/11 às 21h:30m - Forró Pé-de-Serra com Jadson do Acordeon.



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ensaio Sobre a Cequeira (2008 - Fernando Meireles)




O vencedor do Prêmio Nobel de literatura, José Saramago, e o aclamado diretor Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel, Cidade de Deus) nos trazem a comovente história sobre a humanidade em meio à epidemia de uma misteriosa cegueira. É uma investigação corajosa da natureza, tanto a boa como a má - sentimentos humanos como egoísmo, oportunismo e indiferença, mas também a capacidade de nos compadecermos, de amarmos e de perseverarmos. O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer.Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher (JULIANNE MOORE, quatro vezes indicada ao Oscar) que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido (MARK RUFFALO). Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança.
A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade. O elenco conta com: Julianne Moore (Longe do Paraíso, As Horas), Mark Ruffalo (Zodíaco, Traídos Pelo Destino), Alice Braga (Eu Sou a Lenda, Cidade de Deus), Yusuke Iseya (Sukiyaki Western Django, Kakuto) Yoshino Kimura (Sukiyaki Western Django, Semishigure), Don McKellar (Monkey Warfare, Childstar), Maury Chaykin (Verdade Nua, Adorável Julia), Danny Glover (Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho, A Cor Púrpura) e Gael García Bernal (Babel, Diários de Motocicleta, E Sua Mãe Também).



Ainda não li o livro, mas depois do filme quero ler o quanto antes, quero saber como José Saramago descreve as características das personagens, como se passa as situações na ótica do escritor e quais as licenças poéticas usadas pelo diretor na montagem que me surpreendeu, pela qualidade das imagens, produção, locação, som e fotografia de excelente qualidade, ressalto que aos meus padrões de espectador.
Recomendo.

domingo, 2 de novembro de 2008

Che e Che – A Guerrilha (Steven Soderbergh - 2008)





Os dois filmes trazem o ator porto-riquenho Benicio Del Toro como o personagem-título. Em mais um de seus trabalhos internacionais, o ator brasileiro Rodrigo Santoro também está no longa, interpretando Raúl, irmão de Fidel Castro (Demián Bichir).Che tem início no México, em 1955, quando Fidel e Ernesto Guevara se conhecem. No ano seguinte, as duas lideranças do movimento navegam até Cuba com mais 80 rebeldes para derrubar o general Fulgêncio Batista do poder. Durante esse perído, Che e Fidel seguem por caminhos distintos. As câmeras de Soderbergh acompanham apenas Che, com eventuais encontros entre os dois. Ao mesmo tempo em que retrata a caminhada de Guevara pelo interior de Cuba, o filme revela cenas do guerrilheiro em Nova York durante os anos 60. No segundo filme, Che – A Guerrilha, é mostrada as andanças do médico pelo interior da Bolívia, tentando repetir o feito cubano. E, como a história mostrou, não sendo bem-sucedido. Os dois filmes devem estrear, a princípio, em datas separadas, apenas em 2009. Na Mostra, eles serão exibidos em seqüência.